quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Velho besouro

Esse é o nosso Fusca 1971. Quando meu pai falou que compraria um carro de origem alemã, me imaginei chegando na escola a bordo de um de Mercedes-Benz, BMW ou Audi, com ar condicionado, freios ABS, piloto automático, air bag e outras frescuras. Mas aí veio um modelo mexido da VW. Meu pai é um cara retrô, de gosto "vintage", um verdadeiro colecionador, por isso pegou esse Fusquinha.

Quando esse Fusca saiu da linha de montagem meu pai era um pouco mais velho do que eu e minha mãe ainda sujava as antigas fraldas de pano. Pelé & cia tinham conquistado em definitivo a Taça Jules Rimet para o Brasil (o Tri-Campeonato de 1970), Neil Armstrong já havia pisado na Lua (1969), Jimi Hendrix já estava numa jam session com o "Papai do céu" e o Festival de Woodstock era uma lembrança ainda fresca e enlameada. Mas nem tudo que é 'bão' é contemporâneo desse glorioso Fusca: o Toddynho, meu leite achocolatado predileto, só surgiu em 1982.

Quando meu pai vacila, eu pulo dentro do cockpit do Fusca. Aquilo vira um playground: gosto de "dirigir", apertar os botões, puxar maçanetas, trocar as marchas, abrir e fechar o porta-luvas, fazer malabarismos no PQP, grudar pitucas de nariz no volante e mergulhar no "chiqueirinho", aonde eu guardo brinquedos como bola, espada e caminhões. Gosto muito no nosso bom e velho Fusca 1971.
Tchau!
Gabriel

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