sábado, 11 de outubro de 2008

Pintura livre

Os críticos de arte têm a insaciável necessidade de rotular obras e localizá-las em determinados movimentos/correntes estéticas/gêneros: pós-impressionista, renascentista, realista, acadêmico, abstrato, contemporâneo, naif e por aí vai... Quer dizer, uma chatice total. Quando estou em meu ateliê apenas pinto meus quadros por prazer, sem censura, sem um plano de vôo. Minha criatividade é a minha bússola. E meu Toddynho é o meu combustível. Gosto de sentir o cheiro do guache, de apertar o pincel sem dó no papel e de pintar paredes quando ninguém está por perto.


O Van Gogh (que durante toda sua vida vendeu apenas um quadro) tinha pinceladas firmes e carregadas. Leonardo Da Vinci foi mestre em captar a vivacidade das feições, incluindo os sorrisos amarelados das primas Mona e Lisa. Salvador Dalí era chegado num surrealismo explícito. E Andy Warhol fazia arte para o povão enquanto tomava sopa Campbell. Meu estilo de pintura é um mix desses caras. Vale dizer que eu uso dois pincéis ao mesmo tempo, para chacoalhar simultaneamente os dois hemisférios do cérebro no momento da criação artística. Ou gênese artística. "Ou não", como diria Caetano.


Meu pai me inspirou a desenvolver essa sofisticada técnica de pintar com dois pincéis e um chopp (ou melhor, um Toddynho). Um belo dia percebi que ele conseguia trocar minha fralda usando suas duas mãos, uma para limpar o "rebosteio" e outra para passar o refrescante Hipoglós (e usando o nariz e o dedão do pé ele ainda consegue lacrar a fralda nova). Descobri que havia muita beleza estética e mecânica naquilo. E que de suas mãos, tingidas, brotava uma enorme gama de tonalidades raras e únicas. Tchau! Gabriel.

(Dedicado ao Vô Erre Erre e ao Tio 'Xedip' (Filipe), os pintores/desenhistas do meu clã).


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